Eu nunca sou exatamente a mesma.
Há dias em que pareço inteira.
Em outros, estou só começando.
Morei aqui quando ainda estava aprendendo o mundo.
Doze anos são tempo suficiente para criar raízes.
E tempo suficiente para esquecê-las.
Eu fui embora.
E, de algum jeito, nunca fui completamente.
Agora voltei.
Nove anos depois,
e silêncio suficiente para escutar o que ficou.
Não sei se voltei para um lugar
ou para uma parte de mim.
Algumas partes minhas aparecem em vídeo.
Outras precisam de mais tempo.
Por isso este espaço existe.
Não para explicar.
Mas para atravessar.
Algumas portas não fazem barulho quando se abrem.
O que você vê pode ser real.
O que você sente, com certeza é.
E talvez existam camadas
que só aparecem para quem decide ficar.



Lojinha da Luísa Terra
Alguns objetos têm caminhado comigo nesses dias de silêncio e recomeço. Estão ao meu lado enquanto escrevo, passo o café, componho devagar ou só observo a luz entrar pela janela. São pequenas companhias que, de algum jeito, aquecem a rotina.
Separei aqui tudo o que faz parte desse meu mundo.
E, se algo daqui chegar até você, saiba que isso também me ajuda a continuar desenhando as músicas do meu primeiro álbum — com calma, verdade e o coração aberto.

Café e manhãs lentas
Antes da música, vem o café. Aqui ficam os pequenos rituais que me acordam devagar: o grão que moe no tempo certo, o coador que perfuma a cozinha, a caneca que aquece minhas mãos nas primeiras luzes do dia.
Cozinha afetiva
A cozinha é onde a memória mora. Entre a tábua de madeira, a panela de ferro e o bolo que cresce no forno, guardo pedaços da minha infância e do que ainda me sustenta hoje. Estes são os objetos que costuram afeto, cheiro e história.
Cadernos e livros da minha mesa
Entre uma canção e outra, sempre volto para a mesa onde deixo meus cadernos, lápis e os livros que me acompanham. Aqui ficam as palavras que me encontram no meio da tarde, as leituras que iluminam meus silêncios e os cadernos onde guardo tudo o que ainda não virou música.
Para tocar e cantar
Aqui ficam os instrumentos e acessórios simples que fazem parte da minha música. O ukulele que levo para a varanda quando o sol abaixa, o violão que descansa ao meu lado quando escrevo, o capotraste que muda o tom de uma lembrança, as palhetas que guardo numa caixinha de metal, o afinador pequeno que sempre carrego na bolsa e os cabos que conectam minha voz ao mundo. Coisas leves e reais, feitas para tocar e cantar do jeito que a vida pede.












